Pesquisadores das Universidades Estaduais do Paraná, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), de Institutos de Pesquisa e de algumas Universidades do Estado de São Paulo participarão de um estudo amplo e inédito no Brasil e na América Latina, que visa um melhor entendimento sobre as manifestações clínicas da Covid-19, bem como a caracterização genética do Coronavírus. O estudo que deverá iniciar neste mês de julho, será coordenado pelo Instituto de Pesquisa para o Câncer (IPEC/Guarapuava), por meio da Rede Genômica. Representam a UENP neste grupo de pesquisadores os professores Fábio Seiva, Bruno Galindo e Mayra Gallo.

O valor inicial do investimento na pesquisa é de R$ 800 mil, sendo R$ 400 mil da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, por meio da Unidade Gestora do Fundo Paraná (UGF), e R$ 400 mil repassados pela prefeitura de Guarapuava.

“O ineditismo do projeto de pesquisa genômica e populacional a respeito da Covid-19 demonstra o elevado nível técnico e científico dos pesquisadores das universidades e institutos de pesquisa do Paraná”, afirma o superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona. “Será um grande legado. A iniciativa reforça o papel fundamental das nossas intuições de ensino superior no desenvolvimento do Paraná”, destacou Bona.

Serão 95 pesquisadores de 11 municípios do Paraná e de São Paulo. Eles estudarão o comportamento da Covid-19 em pacientes com quadro clínico grave e mantidos em UTI com ventilação pulmonar; pacientes com quadro clínico moderado, internados em enfermarias; e pacientes com quadro clínico leve ou assintomáticos que estejam em distanciamento social.

Pesquisas já realizadas demonstram que metade dos indivíduos com Coronavírus apresenta sintomas moderados e é curada sem a necessidade de hospitalização, 30% são assintomáticos. Cerca de 20% dos indivíduos infectados evoluem para a forma mais grave da doença e necessitam de cuidados hospitalares. Desses pacientes, 5% necessitam de atenção intensiva com ventilação pulmonar.

Para realizar o estudo, serão coletadas, ao longo de quatro meses, amostras de sangue e tecidos de 200 pacientes, obtidas de instituições de saúde do Paraná e de São Paulo, entre elas o Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen), em Curitiba.

Segundo o coordenador do curso de Medicina da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e um dos coordenadores da pesquisa, David Livingstone, o estudo busca compreender de que maneira a genética influencia na evolução da doença.

“Já se sabe que alguns fatores de risco da doença são idade avançada, obesidade e existência de comorbidades. Todos estes fatores, no entanto, não explicam porque certos pacientes jovens ou sem doenças pré-existentes desenvolvem quadros graves de Covid-19. Existem fatores genéticos inerentes a determinados indivíduos que os tornam mais propensos a desenvolver formas graves da doença? Quais seriam esses fatores? Entre as centenas de variedades de Sars-CoV-2 em circulação no Brasil e no mundo, quais são as mais graves e por que? Essas são algumas questões que buscamos responder com a pesquisa”, destacou Livingstone.

O professor Fábio Seiva, do curso de Ciências Biológicas da UENP, destaca o protagonismo e a relevância da pesquisa realizada no Estado do Paraná. Ele ressalta que a parceria entre pesquisadores de diferentes instituições trará diversos benefícios para a população e que a excelente estrutura do IPEC permitirá avançar no estudo e desenvolvimento de terapias para doenças como a Covid-19, dentre outras.

O pesquisador acentua que há muito ainda o que se estudar sobre o Coronavírus, principalmente sobre sua genética e as respostas imunológicas das pessoas infectadas. “A gente sabe hoje que há linhagens distintas do Sars-CoV-2 circulando no mundo e aqui no Paraná esse estudo vai nos auxiliar, primeiramente a distinguir quais subtipos estão circulando entre os infectados e também, buscaremos explicar qual a influência dos fatores genéticos, tanto do vírus como também dos pacientes, sobre a sintomatologia, e as respostas clínicas dos doentes; esse entendimento é fundamental para a proposição de novas estratégias terapêuticas ”.

Segundo o professor, a UENP poderá contribuir, direta e indiretamente, com a pesquisa, por estar envolvida em diversas ações relacionadas à extensão e à pesquisa sobretudo no Norte Pioneiro do Estado. “Inicialmente, cerca de 150 amostras de tecido e sangue de pacientes infectados devem ser analisadas. Em nossa região, alguns professores do curso de Enfermagem têm realizado coleta para testes diagnósticos da Covid-19; essas amostras poderão ser acrescidas aos estudos, o que certamente trará mais robustez aos resultados que iremos encontrar”, acentua o pesquisador.

O professor acrescenta ainda que, em outra frente, há um grupo de professores, também do curso de enfermagem da UENP e do qual faz parte, que está elaborando uma revisão ampla e criteriosa sobre diagnósticos e tratamentos para a Covid-19. “Esperamos publicar esse trabalho muito em breve. Tudo isso irá contribuir sobremaneira para que possamos combater essa doença de maneira mais eficaz”, disse.

“Além deste estudo sobre a Covid-19, pretendo também contar com a expertise e a infraestrutura disponibilizadas pela “Rede Gênomica” para incrementar nossas pesquisas sobre doenças metabólicas e sobre alguns tipos de cânceres”, finaliza Fábio Seiva.

Participantes – O projeto será desenvolvido no IEPC pela Rede Genômica com pesquisadores de doze instituições de pesquisa paranaenses. São elas as universidades estaduais de Londrina (UEL), Ponta Grossa (UEPG), do Centro-Oeste (Unicentro), de Maringá (UEM), do Norte do Paraná (UENP), do Oeste do Paraná (Unioeste), Estadual do Paraná (Unespar), e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Também participam a Faculdades Pequeno Príncipe (FPE-Curitiba), Instituto Carlos Chagas (Fiocruz/PR), Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), e quatro instituições paulistas: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP), Faculdade de Ciências Farmacêuticas (Unesp – Araraquara), Universidade de Araraquara (Uniara) e a Faculdade de Medicina de Marília (Famema).

Rede Genômica – A rede foi criada com o objetivo de desenvolver metodologias de análise em escala genômica aplicadas ao diagnóstico de doenças genéticas, em especial as doenças oncológicas. A Rede Genômica está vinculada ao IPEC, que foi criado recentemente. O instituto desenvolve pesquisas básicas e aplicadas voltada ao diagnóstico e tratamento do câncer e também promove a formação de profissionais especializados em medicina de precisão.
Instituto para Pesquisa do Câncer – Inaugurado no mês de junho, o Instituto é fruto de um investimento de R$ 15 milhões da Assembleia Legislativa do Paraná e empresários locais.

O IPEC foi criado para ser uma plataforma de pesquisa genômica com corpo técnico e clínico especializado. A instituição tem um amplo portfólio de testes genéticos, com equipamentos e metodologias de última geração, fundamentais para o diagnóstico de doenças de base genética, em especial as doenças oncológicas.

O instituto atua em diferentes áreas como: Oncogenética, Neurogenética; Doenças Raras, Cardiogenética, Saúde e Bem-Estar, além de fortalecer a base científica para o desenvolvimento do setor agropecuário da região de Guarapuava. Fonte: Assessoria Uenp / Foto: Divulgação.

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