Em meio às preocupações mundiais frente ao coronavírus, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a pesquisa trimestral do abate de animais, consolidando os dados referentes a 2019. O Paraná abateu, no total, 1,452 milhão de bovinos, segundo melhor desempenho de toda a série histórica, atrás somente de 2010. Naquele ano foram abatidas 7,2 mil cabeças a mais, totalizando 1,459 milhão de animais.

Já a produção de 2019 alcançou 356,06 mil toneladas de carne bovina, maior resultado anual já registrado. Apesar do número de animais abatidos ligeiramente menor em relação a 2010, o desempenho do ano passado, em termos de produção de carne, é fruto do incremento no peso médio de carcaças. O Estado alcançou, na média, 245 kg/cabeça, quase uma arroba a mais que a registrada em 2010.

Em 2019, o volume de cabeças abatidas sofreu leve alta (0,74%) frente ao ano anterior. Em termos práticos, a evolução abaixo de 1% representa estabilidade no montante total. Entretanto, é possível identificar alterações expressivas ao analisar as diferentes categorias que compõe esse dado.

A primeira informação é o percentual de participação de fêmeas no volume total, que em 2019 se manteve inalterado em relação ao ano anterior, com vacas e novilhas representando 44% dos abates totais ou 645 mil animais. Enquanto o volume de participação das vacas sofreu redução de 2,56%, o montante de novilhas cresceu 9,42%. Foram 15 mil novilhas a mais que em 2018, totalizando 176 mil.

O volume de bois acima de dois anos, maior participação entre as categorias, se manteve praticamente estável. Em 2018 foram abatidas 738 mil cabeças, contra 741 mil em 2019, crescimento de 0,42%.

Por sua vez, o montante de machos jovens apresentou crescimento semelhante ao das novilhas (8%), sendo enviados para o gancho 4,7 mil novilhos a mais em 2019 na relação com 2018.

Na comparação do desempenho dos últimos trimestres de 2018 e 2019, o mercado da arroba registra um aquecimento vertiginoso, no qual as cotações bateram recordes nominais e reais (R$ 231,35 no dia 27 de novembro). Isso pode ser consequência de dois fatores: queda no número de animais abatidos e alta nas exportações.

Em números gerais, nesse período houve redução de 1,9% no número total de animais abatidos, em torno de 7 mil cabeças. Em termos práticos, esse comportamento é consequência do mercado da arroba. Como a curva de preços vinha se mantendo apática desde meados de 2017, o pecuarista estava desestimulado a investir em estratégias diferenciadas de alimentação dos rebanhos em 2019, como o confinamento ou mesmo a suplementação à pasto.

Nesse contexto, houve represamento de animais, pois, ao não suplementar no período seco, esses não estavam terminados para atender a demanda de fim de ano, o que contribuiu para a ascensão meteórica da arroba. Contudo, a confirmação desse cenário somente irá ocorrer com os dados do primeiro trimestre de 2020, prevista pelo IBGE para junho deste ano.

Mesmo assim, apesar da redução no número total de abates, no último trimestre a participação das categorias mais jovens de novilhos e novilhas aumentou em 22,8 e 9,79%, respectivamente, frente à igual período de 2018. Por outro lado, o volume de fêmeas mais eradas reduziu em 11%, e o de machos se manteve praticamente estável, decrescendo em 0,46%.

É certo que a maior expressão de vacas abatidas ocorre geralmente no primeiro e segundo trimestres, fruto do descarte de animais vazios após a estação de monta. Entretanto, os maiores percentuais de abate de categorias mais jovens poderiam estar atrelados à melhor resposta dessas categorias à suplementação. Outro aspecto a ser considerado seria o atendimento ao mercado externo.

O principal comprador de carne bovina paranaense em 2019 foi Hong Kong, que abocanhou 12 mil toneladas do total exportado pelo Estado, o que representa 35% das 34,3 mil toneladas comercializadas.

Desde 2005, o Brasil não exportava tanta carne bovina em termos de volume. Mas, as cotações da arroba para o ano fizeram com que o Estado batesse recorde de faturamento em 2019, movimentando US$ 130,8 milhões, 4,4% a mais que o recorde anterior, de 2018, com US$ 125,2 milhões,

A diferença nas importações de Hong Kong foi de 1,9 mil toneladas, que divididas por um peso médio de carcaças de 245 kg, seria o equivalente à carne oriunda de cerca de 8 mil animais. Curiosamente, o quarto trimestre de 2019 representou crescimento de 7,8 mil animais jovens em relação a igual período de 2018.

A cadeia de fornecimento de alimentos não para, mas o comportamento do mercado segue incerto. Se por um lado houve uma explosão de consumo pela população estocando alimentos para o período de quarentena, por outro não se sabe por quanto tempo o isolamento se estenderá.

Com a paralisação de restaurantes, total ou parcial, e a circulação de clientes reduzida nos supermercados, a indústria encontra ou encontrará dificuldade nas vendas. Mesmo a arroba mostrando sinais que em 2020 não retornará aos patamares do ano passado, o escoamento depende da demanda, e como essa se comportará nos próximos meses, somente o tempo nos dirá.

Fonte: Faep / Foto: Divulgação

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui